Cultura

Festival de cinema independente volta ao centro histórico de Salvador com programação gratuita

Evento reúne 47 produções nacionais e 12 internacionais ao longo de dez dias, com sessões abertas em espaços públicos da cidade. Entrada franca para todas as exibições.

FESTIVAL DE CINEMA

O Festival de Cinema Independente de Salvador abre suas portas nesta quinta-feira, 26 de junho, com uma programação que promete ocupar praças, largos e espaços culturais do centro histórico da cidade durante dez dias. A entrada é gratuita em todas as sessões, e a organização espera receber mais de 30 mil espectadores ao longo do evento.

Esta é a sétima edição do festival, que retorna ao Pelourinho após dois anos de pausa forçada por restrições orçamentárias. A retomada foi possível graças a uma parceria entre a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, a Prefeitura de Salvador e um consórcio de empresas locais que apostaram no evento como vitrine cultural da cidade.

O que está na programação

São 47 filmes brasileiros e 12 produções internacionais distribuídos em quatro seções competitivas e três mostras paralelas. A curadoria priorizou obras de diretores estreantes e produções de baixo orçamento que não tiveram acesso ao circuito comercial — exatamente o tipo de cinema que o festival quer celebrar.

Entre os destaques nacionais, o documentário "Água Doce", da diretora maranhense Lúcia Ferreira, abre o evento com uma sessão especial no Largo do Pelourinho. O filme acompanha comunidades ribeirinhas do Maranhão que enfrentam o avanço da seca e a disputa por recursos hídricos. Já na ficção, "Noite de São João", de um coletivo de jovens cineastas pernambucanos, promete ser um dos favoritos ao prêmio principal.

"Salvador tem uma relação muito especial com o cinema. A cidade é personagem em tantos filmes brasileiros importantes, e faz sentido que ela seja palco de um festival que celebra o cinema que não tem medo de ser diferente", disse o diretor artístico do evento, Marcos Andrade, em entrevista coletiva realizada ontem.

Programação de abertura — 26 a 28 de junho

26/0619h — "Água Doce" (abertura oficial) — Largo do Pelourinho
26/0621h30 — Debate com diretora Lúcia Ferreira — Espaço Cultural da Barroquinha
27/0618h — Mostra de curtas baianos — Praça da Sé
27/0620h — "Noite de São João" — Cinema do Museu de Arte Moderna
28/0616h — Sessão infantil — Parque da Cidade
28/0619h30 — Mostra internacional — Teatro Castro Alves

Cinema baiano em destaque

A Bahia tem uma presença forte nesta edição, com 11 filmes produzidos no estado entre os selecionados. A diversidade temática é notável: há documentários sobre a cultura do candomblé, ficções científicas ambientadas no sertão e animações feitas por coletivos de jovens das periferias de Salvador e Feira de Santana.

Para a diretora da Secretaria de Cultura da Bahia, Renata Souza, o festival é uma oportunidade de mostrar que o audiovisual baiano amadureceu. "Temos hoje uma geração de cineastas formados nas universidades públicas do estado, com acesso a equipamentos e a uma rede de colaboração que não existia há dez anos. O resultado está na tela", afirmou.

Acesso e logística

Todas as sessões são gratuitas e abertas ao público, sem necessidade de inscrição prévia. Para as exibições em espaços fechados, a entrada é por ordem de chegada, com capacidade limitada. A organização recomenda chegar com pelo menos 30 minutos de antecedência para as sessões mais concorridas.

A programação completa está disponível nos pontos de informação turística do centro histórico e em cartazes distribuídos pela cidade. O festival encerra no dia 5 de julho com a cerimônia de premiação no Teatro Castro Alves.

Temas: Cultura Cinema Salvador Bahia Festival

Beatriz Lemos

Repórter de Cultura

Cobre cinema, literatura e artes visuais com foco na produção cultural das regiões menos representadas na mídia nacional. Formada pela UFPE, é crítica de cinema desde 2017.